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| Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians |
Logo que chegou ao Corinthians, Cássio era apenas um goleiro jovem com passagem pelas categorias de base da Seleção Brasileira e por alguns cantos de Europa. O que era mais sabido é que tinha sido formado pelo Grêmio aqui no Brasil.
Isso causou questionamentos, dúvidas e rendeu muita desconfiança e piada de uma mídia esportiva pouco acostumada a analisar e propor pensamento sobre jogo e jogador. Um exemplo clássico disso é uma esquete gravada por um (pasmem) jornalista na qual ele simula uma conversa com Cássio por telefone só para expor ainda mais o quanto o jovem goleiro ainda era desconhecido. Faltou graça à esquete (que envelheceu mal) e sempre faltou carisma a esse jornalista.
Cássio aguentou todo esse momento em silêncio. Assim como permaneceu em silêncio em seus piores declínios ou em suas melhores atuações. Ou quando decidiu partir mesmo querendo ficar (e graças a Deus que ficou). Trabalhou no silêncio até mesmo quando a fúria da Fiel se voltou para ele ou quando o mais belo amor da mesma torcida foi experimentado.
Só não permanece no silêncio em campo. É em campo que o camisa 12 se torna mais um Corinthiano ou Corinthiana de arquibancada dentro das quatro linhas. Que luta, que vai até o limite, que esbraveja em cada erro do time, que fica puto a cada erro de arbitragem e que também erra. Faz parte. É de lá que vê tudo, que comemora ou lamenta tudo, que participa quando necessário e que faz história ás vezes... Só o tempo dirá quantas histórias ele foi capaz de escrever dali.
Aquele jovem não sabia, nós também não, mas meses depois de sua apresentação escreveria um dos capítulos mais importantes da história de um clube cuja rica história parecia já estar toda escrita. Cássio não entendeu naquele momento a dimensão daquela defesa após o chute de Diego Souza com plano de fundo silencioso de mais de 30 mil torcedores, nós também. Talvez daqui uns anos tenhamos a real dimensão daquele feito e de tantos outros que viriam logo após. Talvez algum dia tenhamos a real dimensão de Cássio para a história alvinegra.
O maior de todos os goleiros, um dos maiores dentre todos os jogadores ao fim de sua passagem ficará atrás de pouquíssimos em nível de importância e de entendimento do que é o Corintthians e o que ele representa para milhares de pessoas que respiram esse clube diariamente pelo mundo à fora.
A gente não pode ter certeza do quanto ainda vai durar a visão do campo com um gigante debaixo das traves, ele próprio parece não ter essa certeza mesmo já tendo conquistado tudo e o mundo. Mas uma coisa é certa. Depois de todos esses anos, de todas as defesas, de todas as vitórias e títulos aquele jornalista citado no começo do texto, sem carisma e aqui sem nome, já sabe quem é Cássio Ramos.

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